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Hackers invadiram pelo menos uma organização usando vulnerabilidades do Windows publicadas online por um pesquisador de segurança nas últimas duas semanas, segundo a empresa de cibersegurança Huntress.

Nesta sexta-feira (17), a companhia relatou em uma série de postagens no X que seus pesquisadores observaram atacantes explorando três falhas de segurança do Windows, apelidadas de BlueHammer, UnDefend e RedSun.

Das três vulnerabilidades sendo exploradas, apenas a BlueHammer foi corrigida pela Microsoft até agora. A correção foi lançada no início desta semana. Não está claro quem foi o alvo deste ataque nem quem são os hackers responsáveis, segundo o TechCrunch.

Pesquisador publica código de exploração por conflito com Microsoft

Os atacantes parecem estar usando código de exploração que o pesquisador de segurança publicou online. No início deste mês, um pesquisador conhecido como Chaotic Eclipse publicou em seu blog o que disse ser um código para explorar uma vulnerabilidade não corrigida no Windows. O pesquisador aludiu a algum conflito com a Microsoft como motivação para publicar o código.

“Eu não estava blefando com a Microsoft e estou fazendo isso novamente”, escreveu o pesquisador. “Muito obrigado à liderança do MSRC por tornar isso possível”, acrescentou, referindo-se ao Microsoft Security Response Center, a equipe da empresa que investiga ciberataques e trata relatórios de vulnerabilidades.

Dias depois, o Chaotic Eclipse publicou o UnDefend e, então, no início desta semana, publicou o RedSun. O pesquisador publicou código para explorar todas as três vulnerabilidades em sua página no GitHub.

Todas as três vulnerabilidades afetam o antivírus Windows Defender, desenvolvido pela Microsoft, permitindo que hackers obtenham acesso de alto nível ou administrativo a um computador Windows afetado.

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Microsoft defende divulgação coordenada de vulnerabilidades
  • Em resposta a uma série de perguntas específicas, o diretor de comunicações da Microsoft,Ben Hope, disse em declaração que a empresa apoia “divulgação coordenadade vulnerabilidades, uma prática amplamente adotada pela indústria que ajuda a garantir que questões sejam cuidadosamente investigadas e abordadas antes da divulgação pública, apoiando tanto a proteção ao cliente quanto a comunidade de pesquisa em segurança”;
  • Este é um caso do que a indústria de cibersegurança chama de “divulgação completa“. Quando pesquisadores encontram uma falha, podem relatá-la ao fabricante do software afetado para ajudá-lo a corrigi-la;
  • Nesse ponto, geralmente a empresa reconhece o recebimento e, se a vulnerabilidade for legítima, trabalha para corrigi-la. Frequentemente, a empresa e os pesquisadoresconcordamcom um cronograma que estabelece quando o pesquisador pode explicar publicamente suas descobertas.


Às vezes, por diversas razões, essa comunicação se rompe e pesquisadores divulgam publicamente detalhes do bug.

Em alguns casos, em parte para provar a existência ou gravidade de uma falha, pesquisadores vão além e publicam código de “prova de conceito” capaz de abusar desse bug. Quando isso acontece, criminosos cibernéticos, hackers governamentais e outros podem pegar o código e usá-lo para seus ataques.

Corrida entre defensores e atacantes do Windows

“Com esses sendo tão facilmente disponíveis agora, e já transformados em armas para uso fácil, para melhor ou pior, acho que isso nos coloca em outra disputa de cabo de guerra entre defensores e criminosos cibernéticos”, disse John Hammond, um dos pesquisadores da Huntress que tem acompanhado o caso, ao TechCrunch.

“Cenários como estes nos fazem correr com nossos adversários; defensores tentam freneticamente proteger contra atores mal-intencionados que rapidamente aproveitam essas explorações… especialmente agora que são apenas ferramentas prontas para atacantes”, disse Hammond.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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