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O governo de São Paulo multou a Fast Shop em R$ 1,04 bilhão por envolvimento em um esquema de fraude tributária investigado pela Operação Ícaro. Segundo a Controladoria Geral do Estado de São Paulo (CGE-SP), trata-se da maior punição já registrada no país com base na Lei Anticorrupção.

Em nota ao Olhar Digital, a empresa afirmou que vai apresentar recurso.

A sanção foi definida após a conclusão de um Processo Administrativo de Responsabilização de Pessoa Jurídica, que apontou participação da varejista em práticas como obtenção indevida de créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), oferta de vantagens a agentes públicos e interferência em atividades de fiscalização tributária.

As investigações indicam que a Fast Shop contratou a Smart Tax Consultoria e Auditoria Tributária Ltda., empresa operada pelo ex-auditor fiscal da Receita Estadual Artur Gomes da Silva Neto, para atuar na recuperação de créditos tributários ligados ao ICMS.

Segundo a Agência SP, o esquema utilizava acesso irregular aos sistemas internos da administração tributária de São Paulo para obter informações fiscais privilegiadas. A apuração aponta ainda que o certificado digital da própria Fast Shop teria sido usado nas operações.

De acordo com a CGE-SP, a prática envolvia o uso de “mineração de dados fiscais” para homologar créditos tributários de forma irregular, além de promessas de facilitação de processos fiscais e blindagem contra fiscalizações.

As autoridades analisaram movimentações que somam cerca de R$ 1,59 bilhão. Desse total, aproximadamente R$ 1,04 bilhão em créditos tributários teriam sido obtidos de forma ilícita, gerando prejuízo direto aos cofres públicos.

Multa à Fast Shop é a maior já aplicada na Lei Anticorrupção

A multa aplicada corresponde exatamente ao valor da fraude identificada: R$ 1.040.278.141,00. Segundo o governo paulista, a definição da penalidade levou em conta critérios como gravidade das irregularidades, extensão dos danos à administração pública, vantagem indevida obtida e capacidade econômica da empresa.

O caso faz parte dos desdobramentos da Operação Ícaro, iniciativa conduzida em conjunto pelo governo estadual e pelo Ministério Público para combater esquemas de corrupção tributária envolvendo servidores públicos e empresas privadas.

Até o momento, cinco servidores públicos foram demitidos, um foi exonerado e 61 procedimentos administrativos foram instaurados em decorrência das investigações.

O controlador-geral do Estado, Rodrigo Fontenelle, afirmou que a atuação da CGE-SP reforça o compromisso do governo com políticas de integridade e combate à corrupção. “O caso representa marco relevante no fortalecimento das políticas públicas de prevenção e combate à corrupção em São Paulo”, declarou.

Segundo o governo estadual, os valores desviados poderiam ter sido utilizados em áreas essenciais do serviço público. A administração paulista calcula que R$ 1 bilhão seria suficiente para financiar projetos como a construção de 300 creches, seis hospitais regionais, 216 centros da Rede Lucy Montoro ou a aquisição de mais de 5 mil viaturas policiais.

O Olhar Digital entrou em contato com a Fast Shop, que afirmou que o processo ainda está em recurso e apresentará recurso. Veja a nota completa:

A Fast Shop esclarece que o processo administrativo mencionado ainda está em curso e que não há decisão definitiva sobre o caso. A empresa apresentará recurso nas instâncias administrativas cabíveis e, se necessário, também na esfera judicial, por entender que o valor aplicado é desproporcional e não observa critérios legais e precedentes relacionados aos mesmos fatos.

A companhia ressalta que nenhuma penalidade deve desconsiderar medidas e sanções já adotadas em outras instâncias de apuração de forma que não exista penalização em duplicidade.

A Fast Shop reitera, ainda, que colaborou e segue colaborando com as autoridades durante todo o processo e vem conduzindo um ciclo de renovação do negócio, com foco no fortalecimento da governança, da cultura de compliance e da eficiência operacional.

Vitoria Lopes Gomez é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e redatora do Olhar Digital.
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