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O uso de inteligência artificial em ataques virtuais ganhou um novo capítulo. Pesquisadores da Universidade de Toronto criaram um protótipo de worm com IA capaz de explorar brechas de segurança e se espalhar sozinho por redes de computadores.

O experimento acendeu um alerta porque o sistema consegue adaptar ataques, aprender durante a infecção e atingir Windows, Linux e até dispositivos conectados à internet, comenta o Engadget.

Worm com IA aprende enquanto ataca

Diferentemente dos worms tradicionais, que costumam ser programados para explorar uma falha específica, o modelo criado pela equipe consegue mudar de estratégia conforme encontra novos ambientes. Segundo o estudo, ele foi desenvolvido com modelos de IA de código aberto e testado em uma rede isolada e controlada.

Nos testes, o worm circulou por diferentes sistemas sem precisar de intervenção humana. No caminho, coletou informações, tentou acessar senhas e buscou novas brechas que poderiam ampliar o alcance do ataque.

Segundo os pesquisadores, o protótipo conseguiu atuar em:
  • computadores com Windows;
  • máquinas Linux;
  • dispositivos IoT conectados à rede;
  • sistemas já corrigidos contra problemas anteriores;
  • ambientes com diferentes tipos de vulnerabilidades.


O aspecto mais preocupante do teste foi justamente a capacidade de adaptação do worm. Caso um problema seja corrigido em um computador infectado, ele pode procurar outra vulnerabilidade para continuar tentando assumir o controle da máquina.

Ataques podem ficar muito mais baratos

Outro detalhe que chamou atenção envolve o uso dos próprios computadores infectados para alimentar o funcionamento do worm. De acordo com a equipe, o sistema aproveita parte do poder de processamento das máquinas invadidas para aprimorar suas próximas decisões.

Os hackers normalmente tinham que priorizar os alvos de maior valor porque o tempo e os recursos computacionais eram limitados. Mas agora, uma vez que um worm é lançado, o custo cairia para quase zero.

A pesquisa também cita o avanço recente de ferramentas de IA voltadas para segurança cibernética. Um dos exemplos mencionados é o Mythos, modelo lançado pela Anthropic e capaz de identificar vulnerabilidades inéditas em sistemas digitais.

Segundo os dados divulgados, o Mythos já encontrou mais de 10 mil falhas de segurança. A Cloudflare identificou cerca de 2 mil vulnerabilidades relacionadas, sendo 400 classificadas como críticas ou de alta gravidade.

Cenário preocupa especialistas

Embora o protótipo criado pela Universidade de Toronto explore apenas vulnerabilidades já conhecidas, os pesquisadores reconhecem que a tecnologia pode ser adaptada, no futuro, para buscar brechas inéditas.

Leia mais:
  • Anthropic amplia acesso ao Mythos para 150 organizações
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Na prática, isso poderia facilitar ataques automatizados em grande escala, capazes de aprender novos caminhos enquanto se espalham pela internet.

“Em um mundo interconectado, nenhum sistema está imune a essa ameaça”, disse Papernot. “Compartilhar essas descobertas é o primeiro passo para mobilizar pesquisadores, líderes do setor e formuladores de políticas a agir — e rapidamente.”

O projeto continua restrito a ambientes controlados. Mesmo assim, o experimento já virou um alerta no setor de segurança digital. A preocupação é que ferramentas desse tipo acelerem ataques virtuais em uma velocidade difícil de conter.

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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